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your · one · wish, · you'll · never · get.
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no começo era aquela vontade louca de te decifrar, aquela vontade incontrolável de te moldar e te colocar no meu mundo. cada musica explodindo nos meus ouvidos, gritava o seu nome. a sua boca, o cheiro de alcool, me entorpecia, me fazia querer ainda mais. seu olhar, o cheiro, as manias reveladas, minha alma exposta. os corpos queimavam enquanto a cerveja gelada descia já sem gosto nenhum e eu ali, reparando no seu jeito de lamber a boca, desejo à flor da pele, queimando. as nossas línguas se encontrando, fazendo amor devagar, como nunca foi antes, como nunca foi com ninguém. e nunca vai ser. aquela loucura de viver, a adrenalina pulsando forte e o seu silêncio invadindo o meu quarto, todas as noites. eu te chamava, com medo, rezando pra que não demorasse e você vinha devagar, pedindo calma... eu naquela ânsia de não saber. te soltava e era frio, era escuro. tão escuro que doía. foram tantos tormentos e tantos cigarros, eu já nem lembro. foi quando nossas mãos se encontraram pela primeira vez, e disso eu nunca esqueço. o coração apertado, em desespero, fazendo promessas por mim, por nós. o silêncio nos invadindo e aquela certeza estranha no ar, aquela confiança absurda que só o amor pode ter. e eu confio em tudo agora, confio na vida, confio em nós. é uma fé cega que não acaba. e é tanto amor, que nem cabe. |
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era como se às vezes perdesse o controle e se transformasse em algo maior. maior que ela mesma, maior do que tudo aquilo que sentia e invadia seus poros. costumava evitar atos impensados, mas nessas horas era puro instinto e ação. gritava por dentro, como que para acordar todos os impulsos negados e afastar os demonios escondidos. e de repente, era tomada por uma força incomum. tinha a estranha certeza de que não falharia, tão grande era a vontade de vencer. agarrava-se à tudo que tinha, à tudo aquilo que fazia parte de seu coração disritmado e afirmava convicta: "não vou te perder, vida." |
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o céu amanheceu azul escuro, ventava forte e eu pensei na gente... juntas, quentes! essa noite eu quero febre. o coração explodindo de calor. suas mão como plumas, numa leveza única, estremecendo o meu corpo. te beijar devagar e desesperadamente, sentindo seus impulsos, seus anseios... as luzes escuras e a alma exorcizada, solta no ar... alucinações, suores, calafrios. acordei pedindo movimentos bruscos e fortes! eu quero rasgar, sangrar... me sentir viva. quero cair, ficar no chão e sentir seu corpo pesando sobre o meu. quero engolir a sua respiração lenta e profunda... ser uma só. cada instante como se fosse único e cada pulsação como se fosse a última. hoje eu quero alimentar o vício... te absorver inteira. |
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acordou pensando se teria sido um sonho abriu a janela se perguntando se não seria alucinação e atendeu o telefone imaginando que fosse engano. a voz do outro lado fez seu coração bater disritmado... ... talvez fosse sonho, alucinação... mas engano não era. tinha certeza. |
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ser incomoda. e eu quero que seja, que incomode, que rasgue. preciso ser, com força. sentir numa intensidade absoluta e absurda, tudo e todos. quebrar os vidros com as próprias mão, sentir os cacos minúsculos perfurando a pele e observar o sangue invadindo a atmosfera. sentir com os meus próprios sentidos. e ser sem medo, sem piedade. ser sem hesitar. já me fartei de faz de conta, a ânsia agora é pelo real. a ânsia agora é por abrir os olhos e sentir, ao invés de observar. |
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É interno o terror que salta aos meus olhos, foi o que ela me disse antes de entrar naquele vagão. E tão rapidamente quanto o trem, milhares de pensamentos invadiram minha mente me fazendo concluir que ela estava certa. Era mesmo algo que vinha de dentro, tudo acontecia lá. No interior. O problema não era o mundo, por mais que ela tentasse se convencer do contrário. Por mais que eu tentasse me convencer também. O trem seguinte parou diante de mim e dei dois passos para frente disposta a ir atrás dela. Eu precisava de respostas, precisava arrancar o terror que havia dentro de mim, o terror que me devorava naquela noite. Mas hesitei e as portas do trem se fecharam ao som estridente de um alerta que perfurava meus tímpanos e me dizia que a oportunidade estava perdida. Arranquei do bolso um dos poucos cigarros amassados que ainda estavam lá, subi as escadas e olhei desesperadamente ao meu redor buscando aquilo que estava perdido dentro de mim. Minhas mãos estremeceram, minha voz se calou e percebi que as tentativas de expor minhas entranhas eram frustrantes, era saltar sem tirar os pés do asfalto. |
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Seus olhos estavam cansados, as pálpebras pesadas teimavam em fechar-se, mas já não conseguia dormir. Aquilo estava acabando com ela. Dormir era uma fuga. E já não podia mais fugir. Eterna guerra contra si mesma. A expectativa era o combustível dos tanques de guerra que chocam-se em seu interior. E a angústia presa em sua garganta a sufocava sem perdão. Morder os lábios já não era suficiente para segurar as lágrimas que teimavam em cair lentamente, queimando os últimos vestígios de paz que ainda restavam. Queria entender, mas não podia aceitar as explicações que estavam em sua mente. Aceitar significava se render a um sentimento que consumia seus dias, matava suas vontades e a transformava numa prisioneira de suas próprias obsessões. Já não podia brincar de ser forte. Dessa vez sua fraqueza era explícita. Estava no chão, devorada por aquilo que dizia não sentir. Os pulsos gritavam, o sangue precisava explodir. Precisava libertar toda fúria que sentia, a paixão contida. Precisava libertar-se de si mesma antes que a inércia se apoderasse de vez do seu corpo. Não podia parar de lutar. Mesmo sendo em vão, não podia parar. E iria queimar, queimar até o fim. |
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Um dia longo e cansativo, pensou. Sem dúvidas que sim. Seu corpo estava mais pesado do que nunca, sua cabeça rodava, pensamentos confusos o invadiam, pensamentos inócuos, pensamentos seus. Sobre ela. Trabalhara como um condenado, mas não era o esforço físico que o incomodava. Era a presença daquele sentimento ausente que fazia o dia se tornar imensamente triste e longo. A culpa era dos sentimentos, da ausência deles. Era uma dor aguda e ácida que já não doía e pensou que talvez isso fosse bom, mas não, não era. Definitivamente não. A dor era interessante demais para ser desperdiçada. Queria senti-la. Então voltou a pensar nela, não exatamente nela, mas na carga emocional que ela o fazia carregar. E é bom deixar claro que a carga era extremamente pesada. E frágil. Ele a abandonara na noite passada, abandonara a magia que era estar ao lado de uma mulher tão peculiar, tão forte, tão intensa, tão viva. Ela o amava, eis o motivo. Ele preferia a paixão nua e crua, só sabia ser intensamente e achava o amor morno demais. Por isso a deixara ali, sem dizer muitas palavras. Deu duas goladas na vodka que ainda estava sobre a mesa e partiu. Ele não sabia amar, isso doía. E era uma dor fascinante. Simplesmente fascinante. |
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Naquela noite sentira o frio mais cortante de sua vida. As veias quase não pulsavam, o coração estava estático e a inércia tomava conta do seu corpo. Observava as pessoas que passavam nas ruas e perdia-se em pensamentos absurdos. O vento batia com força em seu rosto avermelhado, suas mãos suavam, seus dentes chocavam-se um contra o outro e um sentimento estranho a invadia lentamente. Acendeu um cigarro, sentou-se na calçada, pensou em gritar para extravasar a dor que sentia, mas conteve-se. Pensou em como as pessoas a achariam ridícula. Pensava demais nas pessoas, isso a estava consumindo. Afinal, por que tinha que se preocupar tanto com aquelas figuras estranhas que passavam pela rua? Mergulhada num mundo totalmente seu, viu-se fazendo as mesmas promessas de sempre. Iria demonstrar seus sentimentos dessa vez, iria gritar, iria libertar aquela fúria contida, iria dizer as palavras que sempre acabavam presas num pedaço de papel, iria ser o que era sem medo algum. Acendeu mais um cigarro, respirou fundo e sentiu o vento gélido queimando seus pulmões. Não. Sabia que não iria cumprir aquelas promessas. Ainda não. |
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tudo ao seu redor era caos, era caótico. era um mundo triste, uma vida vazia. sabia que era diferente, era sua única certeza. era a filha perfeita. a irmã perfeita. a amiga perfeita. era um exemplo, um orgulho. era o que tinha que ser. era uma farsa. sempre soube disso. e nunca fez nada pra mudar. estava a beira da loucura, não podia mais ser o fantoche que a sociedade lhe obrigava a ser. nunca aceitou as regras, nunca soube distinguir o certo do errado. tinha alma de artista, gostava do absurdo, do irreal, do ilícito, gostava do oposto, do contrário. só sabia sentir em demasia, seus pensamentos eram confusos, não era o padrão que o mundo queria que fosse, simplesmente não era. mas fingia ser. um dia caiu, quebrou-se. |
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